background
Quinta, 27 Outubro 2016 09:16

ÓLEO DIESEL: O VILÃO DO TRANSPORTE

Escrito por 
Avalie este item
(0 votos)

O alto preço do óleo diesel no Brasil tem um peso de até 40% no total das despesas ao final de cada viagem, seguido dos pneus desgastados por causa das más condições das estradas e, em terceiro lugar, da parte mecânica, segundo avaliação de estradeiros que estão no trecho. Portanto, é preciso cuidar muito da manutenção do bruto, mantendo regulagem e filtros em dia, além de dirigir com o “pé leve” e respeitando o limite do peso da carga e das condições das estradas.

Na opinião do dono da Transportes Fragoneto Ltda., de Uruguaiana/RS, Marcos Fragoso, 51 anos de idade e há 33 anos no setor, não é possível fazer milagres para economizar combustível. O jeito é apenas seguir alguns procedimentos básicos para melhorar o rendimento dos caminhões, evitando desperdícios. “Isso também vale para os pneus em razão das péssimas condições das estradas brasileiras”, acentua.

Com oito caminhões atuando no transporte internacional de cargas, entre Brasil, Argentina e Chile – e idade média de seis anos – salienta que o combustível representa cerca de 40% das despesas da viagem, dependendo dos trechos. Óbvio que em estradas em piores condições há aumento do consumo. Segundo Fragoso, fretes existem para esses mercados, porém os valores pagos são baixos e se diluem com os custos das viagens relacionados a combustíveis, pedágios, pneus e manutenção mecânica.

Ainda de acordo com o transportador, os custos aumentaram muito na Argentina, citando os pedágios que tiveram reajuste de mais de 1.000% nos últimos seis meses. Ressalta que seus caminhões trafegam bem regulados, com filtros limpos, combustível de boa qualidade e com os motoristas que dirigem de forma econômica.

O carreteiro Jesus Altino Andrades Gonçalves, tem 49 anos de idade e 28 anos de profissão, natural de São Borja/RS, que trabalha com um Mercedes 2006 no transporte internacional, também concorda que não é possível fazer milagres para economizar combustível, uma despesa que atinge os 40% por viagem. Ele destaca que procura manter o caminhão regulado e com os filtros limpos. Além disso afirma só abastecer em postos conhecidos e “fazer jogo de corpo” para garantir os melhores preços como, por exemplo, pagar à vista e aproveitar vantagens de estacionamento gratuito banho.

O filho dele, Diego Thomas Gonçalves, 27 anos de idade e há oito no trecho, dirige um Mercedes 91 e também trabalha no transporte internacional. Destaca que é preciso dirigir de forma econômica, além de manter o caminhão sempre em condições adequadas. Lembra que a situação no trecho está muito difícil, com as despesas de viagem muito altas, resultando em muitos autônomos quebrando ou desistindo da estrada. Mas, tem fé no futuro e espera que logo tudo acabe mudando para melhor.

Para o estradeiro Alex Deivid Fleck, 40 anos de idade e 17 de direção, natural de Taquara/RS e que trabalha com um Scania fabricado em 1987 transportando cargas apenas dentro do Estado do Rio Grande do Sul -, também há poucas alternativas para economizar combustível, além das óbvias. Afirma que o consumo de combustível representa entre 40 e 50% das suas despesas da viagem. Embora com preço mais alto, somente abastece em postos conhecidos e “de marca” e que transporta de acordo com as especificações do caminhão e “da balança”.

Fleck ressalta que outros 20 ou 30% são gastos com pneus e mecânica, sobrando muito pouco no final de cada viagem. Por isso, a necessidade do controle absoluto de todas as despesas na estrada. Ele aproveita para criticar a utilização da carta-frete, ainda em uso, e que acaba prejudicando o motorista devido a exigência de abastecer com um determinado valor nos postos conveniados, muitas vezes com preços altos e considerado como venda a prazo, além das dificuldades para o recebimento de valores em dinheiro.

O também gaúcho José Arnaldo Fracalossi, natural de Igrejinha/RS, tem 48 anos de idade e 20 de direção. Conta que está há dois meses longe de casa porque foi trabalhar no transporte da safra de arroz na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul com seu Scania ano 85 com carreta. Na ocasião que conversou com a reportagem da Revista O Carreteiro, ele estava se preparando para retornar para sua casa e rever a esposa e a filha de 11 anos de idade. Disse que retornaria para casa com lucro líquido de 30% de tudo que ganhou no período.

O carreteiro disse que trafegou por estradas de chão, situação em que o consumo de combustível e o desgaste dos pneus são muito grandes. Para economizar combustível e manter o caminhão em boas condições, afirmou que não carrega excesso de peso e pisa leve no acelerador, respeitando os limites do caminhão e das estradas, dentro do bom senso. Disse também que só abastece com combustíveis de qualidade e em postos conhecidos, pois, já teve prejuízo com diesel ruim e precisou limpar tanque e os filtros do veículo. Adiantou que terminada a safra de arroz voltaria à rotina de transportar outros tipos de cargas em rodovias.

Aos 62 anos de idade e 20 no transporte internacional, o carreteiro Marciano Barbosa de Almeida, natural de Itaqui/RS, viaja com um caminhão ano 86 e considera o combustível o maior inimigo do motorista. Isso em razão do alto preço e do peso de cerca de 50% na sua planilha de custos. Em razão disso ele afirma que mantém o caminhão bem regulado, filtros limpos, pisa leve, abastece em postos conhecidos e paga à vista. Diz que para economizar mais ainda, enche os dois tanques do bruto no Brasil, na fronteira, antes de viajar para a Argentina onde o combustível atualmente está mais caro. Com isso ele vai e volta sem a necessidade de reabastecimento e economiza um bom dinheiro.

Outro carreteiro que viaja para a Argentina e igualmente prefere encher os dois tanques do seu Ford Cargo em território brasileiro é Luiz Fernando Baioco Madeira. Natural de Uruguaiana, ele tem 34 anos de idade e 10 anos de profissão e dirige um caminhão fabricado em 2001 na rota São Paulo – Buenos Aires. Como seus colegas também procura manter a manutenção totalmente em dia e fazer boa média. Para isso diz que não pisa fundo no acelerador e dirige de forma econômica e responsável.

Madeira destaca que em viagens longas, se conseguir economizar 100 litros já representa um bom dinheiro. Disse que roda uma média de 2,8 km/litro e costuma abastecer em postos conhecidos, com combustíveis de bandeira e procura pagar à vista para obter melhores preços e assim continuar lutando contra a crise.

O Carreteiro

 

 

Lido 315 vezes